Todos os caminhos levam a Roma, de Scott Hahn (Opinião)

Ficha Técnica:

  • Título: Todos os caminhos levam a Roma
  • Autor: Scott Hahn e Kimberly Hahn
  • Gênero: Autobiografia / Apologética / Teologia
  • Onde você encontra? Aqui.

Existem livros que confirmam o que já pensamos, e existem livros que abalam nossas estruturas. Todos os caminhos levam a Roma pertence à segunda categoria. A obra narra a trajetória de Scott Hahn, um renomado teólogo e pastor presbiteriano que, armado de um intelecto afiado e um amor profundo pela Bíblia, iniciou uma investigação para blindar sua fé contra opositores.

O que ele não esperava era que os próprios documentos históricos e bíblicos o levassem a uma direção totalmente oposta à planejada. Abaixo, listo 8 motivos imparciais para você encarar essa leitura desafiadora, que é, antes de tudo, um thriller intelectual.

(Clicando na imagem abaixo, você encontra este livro)

1. O Detetive Teológico

Diferente de relatos focados em experiências místicas ou emocionais, a jornada de Scott Hahn é cerebral. Ele se debruça sobre textos antigos, léxicos gregos e documentos históricos como um perito criminal. O livro atrai leitores que preferem a lógica sólida ao sentimentalismo, mostrando passo a passo como cada nova descoberta histórica desmontava uma convicção prévia do autor.

2. O Questionamento da Autoridade

Hahn toca no nervo exposto do cristianismo ocidental: a base da autoridade. Como acadêmico, ele defendia o princípio de que a Bíblia é a única regra de fé. No entanto, o livro descreve o momento de crise em que ele busca — e falha em encontrar — a base bíblica para esse próprio princípio. É um momento de tensão intelectual que convida qualquer leitor, cético ou crente, a examinar os fundamentos de suas próprias crenças.

3. Da Lei para a Família (Aliança)

3O autor é um especialista no conceito de “Aliança” (Covenant). Ele argumenta brilhantemente que a salvação não deve ser vista como um tribunal (onde um réu é absolvido), mas como uma família (onde um filho é adotado). Essa mudança de perspectiva, detalhada no livro, é a chave que o obriga a reconsiderar a necessidade de uma estrutura paterna e hierárquica na Igreja, algo que ele antes rejeitava.

4. Coragem contra o Senso Comum

Adotando uma postura que ignora o politicamente correto, o livro dedica capítulos à descoberta do casal sobre a moralidade histórica cristã, especialmente sobre a contracepção. Hahn expõe como a visão moderna se distanciou radicalmente do que foi ensinado por séculos. A obra apresenta argumentos lógicos e biológicos sobre a abertura à vida, desafiando o conforto do leitor contemporâneo.

5. O Conflito Conjugal

O livro ganha uma camada dramática ao ser co-escrito por sua esposa, Kimberly Hahn. Enquanto Scott avançava em suas conclusões teológicas, Kimberly sentia que estava perdendo o marido para “estranhas doutrinas”. O relato não esconde as discussões, a sensação de traição e o medo real do divórcio ou do isolamento social. É uma biografia honesta sobre o custo humano de uma mudança de mentalidade.

6. A Literalidade do Texto Sagrado

Scott Hahn disseca passagens bíblicas complexas, como o capítulo 6 de João, com rigor acadêmico. Ele compartilha seu dilema ao perceber que a interpretação simbólica, que lhe era tão cara, não se sustentava diante da gramática original e do contexto judaico da época. A leitura é uma aula de como ler textos antigos respeitando o que eles dizem, e não o que queremos que digam.

7. O Preço da Verdade

Na época dos fatos, Scott Hahn era um pastor em ascensão e professor universitário. Admitir que suas novas descobertas poderiam estar certas significava demissão imediata e ostracismo. O livro nos força a uma reflexão ética poderosa: até onde vai o nosso compromisso com a verdade? Teríamos a coragem de destruir nossa própria carreira se descobríssemos que estávamos ensinando algo incompleto?

8. As Raízes Históricas

Independente de sua posição religiosa, o livro é uma aula de História da Igreja. Ele conecta o cristianismo moderno com a patrística (os pais da Igreja dos primeiros séculos), revelando uma continuidade — ou a falta dela em certos grupos — que é frequentemente ignorada. É uma leitura que oferece contexto e profundidade para quem gosta de História.

Conclusão: Vale a Pena Comprar “Todos os caminhos levam a Roma”?

Sim. “Todos os caminhos levam a Roma” é um clássico moderno pela sua honestidade brutal. Ele mostra que, às vezes, as perguntas mais perigosas são aquelas que fazemos a nós mesmos.